Os provedores de serviços regionais levam a conectividade às áreas mais remotas e promovem a concorrência em regiões negligenciadas, desempenhando um papel fundamental na disponibilização dos recursos digitais de maneira universal. Às vezes, eles são o único player em áreas de demanda limitada, onde lutam para tornar os investimentos viáveis. Em outras ocasiões, eles lutam contra players de peso, posicionando-se como uma alternativa local com foco em qualidade ou acessibilidade.

Seja qual for a realidade da concorrência, as mesmas forças de mercado que estão trazendo a disrupção nos negócios dos gigantes globais da tecnologia inevitavelmente chegarão até eles. Embora essas empresas regionais possam não ter grandes recursos disponíveis para entender e planejar os novos desafios, elas podem se beneficiar de um processo de tomada de decisão muito mais ágil, movendo-se com rapidez e eficiência para explorar novas oportunidades e mitigar ameaças.

Estas são algumas das forças do mercado que não podem ser negligenciadas:

O 5G será um divisor de águas, transformando o mercado muito além das operadoras de redes móveis. Ele permitirá novos parâmetros para a experiência do usuário, impulsionará a IoT e gerará novas aplicações. O acesso fixo-móvel (cuja viabilidade de custo ainda é controversa) pode trazer nova concorrência para a banda larga, onde os clientes não tinham escolha prévia, forçando os participantes regionais a reposicionarem sua proposta de valor. Também gerará uma demanda massiva por largura de banda de backhaul móvel.

As preocupações com a segurança cibernética estão mudando a forma como os serviços de tecnologia são agrupados e entregues. Os provedores de Nível 1 (T-1s) estão integrando o Managed Security Services (MSS) em suas ofertas de conectividade para clientes corporativos (Firewall, IPS, IDS, Anti-DDoS, segurança de ponto terminal). Tais práticas de agregação podem se tornar a norma do mercado, já que os diretores de informática (CIOs) indicam cada vez mais que a proteção/integridade dos dados e a continuidade dos negócios são a principal prioridade para seus escritórios. Manter-se competitivo nos serviços corporativos exigirá que os provedores regionais desenvolvam um novo conjunto de habilidades para oferecer MSS, o que pode envolver a virtualização de funções de rede de segurança.

A IoT irá reformular vários setores, trazendo vastas oportunidades para provedores de serviços. Por ser específica do setor, exigirá novos conhecimentos verticais para vender e atender aos clientes corporativos e novas parcerias para integrar dispositivos e análises no pacote de serviços. Ela também gerará novas tecnologias, topologias de rede, arquiteturas de computação, sistemas e práticas de serviço que possam reprojetar a maneira como muitos provedores de serviços de tecnologia estão organizados.

O Big Data e a análise significarão novas formas para que os provedores de serviços regionais inteligentes agreguem valor às empresas locais. A Edge computing aumentará o valor de seus sites operacionais como possíveis instalações de edge datacenters, embora possa atrair empresas de fora do setor de tecnologia para fornecer essa infraestrutura dispersa. A experiência digital que os usuários desfrutam nos serviços on-line baseados em nuvem está se tornando um pré-requisito para qualquer oferta de serviços, e os provedores precisarão evoluir para fornecer visibilidade, controle e flexibilidade com pelo menos um nível minimo de qualificação para ser considerado pelos clientes. E a consolidação da cultura de nuvem do "tudo-como-serviço" cria uma infinidade de novas áreas para que os provedores de serviços se posicionem como líderes de tecnologia regionais que se integram muito além da conectividade.

Como prosperar na disrupção digital

Onde quer que as tendências possam direcionar o mercado, é seguro que estão trazendo mudanças profundas para os provedores de serviços regionais, e a chave para sobreviver e vencer nesse mercado será a capacidade de se adaptar.  Não existe uma solução milagrosa para os provedores de serviços abordarem esses desafios transformacionais, e fica ainda mais difícil para as empresas menores, já que muitas inovações úteis levam tempo para se tornarem rentáveis para as implementações regionais.  Por exemplo, ainda pode levar alguns anos para que a NFVO e a automação de rede se tornem amplamente viáveis para redes de nível intermediário. No entanto, há muitos fornecedores de serviços regionais que podem fazer algo agora para se preparar para a disrupção futura.

A chave é desenvolver capacidades adaptativas para responder de forma rápida e flexível às mudanças da demanda e da concorrência, podendo aproveitar as inúmeras oportunidades que surgirão para aqueles que estão equipados. Todo investimento deve ser feito em sintonia com o princípio orientador da adaptabilidade.

O futuro é construído agora. Comece calibrando suas RFPs para priorizar as soluções abertas (ampliando as alternativas para interoperar e gerenciar no futuro), favoreça a infraestrutura programável (preparando-se para graus progressivos de automação à medida que se tornem viáveis) e facilite a inteligência (software e ferramentas de análise). Esses critérios não apenas aumentam a longevidade dos investimentos, protegendo-os para uma ampla gama de cenários, mas também permitirão aos provedores serem ágeis e estarem posicionados para o crescimento. Quer prosperar na disrupção digital? Prepare-se para se adaptar!

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