Ser uma pequena empresa tem suas dores e seus benefícios. O acesso a capital pode ser mais escasso e o poder de barganha limitado, no entanto a flexibilidade e agilidade para implementar novas soluções ou posicionamentos são trunfos diferenciadores em relação a grandes companhias. Conforme o negócio avança, é comum a empresa encontrar-se pressionada entre as dificuldades de ainda ter uma estrutura pequena e a complexidade de já estar adquirindo um porte maior. Este é um momento decisivo na trajetória de um negócio, no qual é preciso construir as fundações que sustentarão o crescimento continuado, mas preservando ao máximo a leveza e flexibilidade que impulsionam o avanço.

O Brasil tem testemunhado um crescimento vertiginoso de provedores de internet e operadoras de telecomunicações regionais. Em sua maioria, essas empresas começam com operações simples, cabeando pequenas regiões e gerenciando sua infraestrutura de uma forma quase artesanal: com poucas ferramentas, mas com muita atenção e paixão. Tendo uma quantidade de clientes reduzida e uma presença local intensa, essas companhias conseguiam implementar processos manuais com rápida resposta para entregar uma experiência de excelência para os usuários. À medida que expandem sua cobertura a outras áreas e ampliam suas redes, os desafios de gestão e operação começam a se multiplicar, até que chegam a um limiar em que um salto de categoria é necessário.

Dores de Crescimento

Há algum tempo, conversei com um sócio de uma operadora regional que tinha acabado de passar por uma fusão seguida de aporte de um novo investidor. Ele me relatou as grandes - e até certo ponto dolorosas - transformações que sua companhia passava. Havia pouco tempo, sua empresa fazia implantações de rede com um grande nível de informalidade: baixo rigor com licenciamento, padrões operacionais, contratações de sites, ou mesmo procedimentos de testes. Entretanto, eles tinham uma presença tão próxima na região, com equipes munidas de sobressalentes de seus principais equipamentos prontas para substituir qualquer elemento que falhasse, que conseguiam assegurar uma experiência de excelência para seus clientes.

Mas o crescimento acelerado da operação começou a complicar a manutenção de um número crescente de sites pouco padronizados, a gestão de uma rede pouco uniforme e a operação individualizada de centenas de elementos. Para complicar mais sua vida, após a fusão e a chegada de novos investidores, a pressão por mais compliance, mais padronização, mais processos e mais visibilidade se intensificava a cada dia.

Ele estava tendo que desenhar e implementar novos processos, adotar plataformas mais robustas e gerenciáveis, e reestruturar toda a sua operação. A agonia dele é que, contrariamente ao senso comum, o aumento da escala estava trazendo aumento de custos unitários. Ele estava mudando de patamar de operação e de rede, e grandes mudanças envolvem algum nível de renúncia e dor. Mas ao adotar novas soluções e práticas, e ao abraçar esse novo patamar, sua empresa se qualificou para mercados mais exigentes, diversificou receitas e abriu diversos novos caminhos que garantiram o grande sucesso que eles gozam hoje.

A história não é única

Muito provedores regionais no Brasil se encontram nessa mesma posição de transformação. Eles cresceram tanto, que os caminhos e as escolhas que os levaram até onde estão não são mais adequados para seguirem adiante e continuarem crescendo. Alcançaram um limiar de transição, onde precisam fazer novas escolhas para levar o jogo para o próximo nível, passando a atuar como operadoras de médio porte, com maior robustez.

Em termos de infraestrutura, este novo patamar se traduz na adoção de plataformas carrier-class, concebidas para alta disponibilidade, desempenho e gerenciabilidade. Onde antes avaliavam-se opções de equipamentos de ultra-baixo custo concebidos para uso não crítico, com software e hardware menos resilientes, há de se colocar novos requisitos e exigências. Tornar-se carrier-class significa trabalhar com plataformas bem documentadas e suportadas, em condições operacionais adequadas e bem definidas. Envolve operar somente equipamentos escaláveis, com software seguro e atualizado, e ferramentas de gestão profissionais que permitam o diagnóstico e resposta rápidos e precisos.

Mas levar o jogo a um novo patamar não precisa significar abrir mão dos seus diferenciais de empresa ágil. Através de escolhas inteligentes, o provedor em transformação pode manter sua flexibilidade e agilidade. Soluções com zero-touch-provisioning permitem configuração e teste remotos de switches de rede, reduzindo custos de equipes especializadas no campo, acelerando o tempo de ativação e minimizando erros. Plataformas programáveis baseadas em protocolos e padrões abertos trazem a liberdade de interoperar diferentes vendors de hardware e software ganhando poder de negociação e eficiência de custos, e ao mesmo tempo se posicionando para um grau crescente de automação na rede que permite entregar novos serviços no futuro. Interfaces ópticas coerentes de alta capacidade viabilizam melhor aproveitamento da planta de fibras, integram transporte, ethernet e IP, e trazem novas alternativas para crescimento otimizado do backbone com eficiência de custos. Em suma, operar em um padrão mais alto é um desafio grandioso, mas há alternativas que minimizam a complexidade e maximizam os benefícios.

Um caminho à frente

Ao adotar uma infraestrutura de excelência, esses provedores abrem novos caminhos de crescimento e diversificação de receitas. Com plataformas, processos e gestão mais robustos, eles se qualificam como escolhas confiáveis seja para clientes de atacado (operadoras móveis, operadoras globais e grandes provedores de conteúdo), como para clientes exigentes do setor público (governos regionais e tribunais de justiça, por exemplo), assim como para utilities e corporações dos mais diversos setores.

Estamos em um momento de transição tecnológica em que o operador regional que vem experimentando alto crescimento no Brasil tem uma oportunidade única de turbinar sua evolução para uma rede carrier-class com tecnologias abertas e mais inteligentes que podem não só sustentar o seu crescimento, como promover sua diferenciação com relação a players já estabelecidos sobre tecnologias legadas.

Essa evolução não precisa ser intimidadora. Nós na Ciena podemos ajudar nossos clientes a explorar ao máximo o potencial de suas redes para que tenham sucesso em sua jornada de crescimento e transformação. Vamos começar!